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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

EMBOLIA DE FIO GUIA: RISCO DE PROCEDIMENTO OU FALTA DE CUIDADO?

        

       A embolia do fio guia durante a passagem de um acesso venoso central é uma rara complicação do procedimento. A presença de um corpo estranho na luz de vasos pode causar lesão vascular, trombose e/ou embolia de coágulos, além de arritmias se intra-cardíaco.

        Apesar de rara, é uma complicação potencialmente fatal, com até 20% de mortalidade. As mais graves complicações ocorrem quando há perda de fragmentos menores dentro do vaso puncionado, sejam do catéter plástico ou do fio guia, pois eles conseguem migrar mais distalmente, ocluindo até completamento um leito vascular e causando potencial lesão de órgão. Quando o fio guia é perdido inteiro dentro da veia, dificilmente causa sintomas imediatos e muitas vezes é encontrado em radiografias de rotina quando o médico não sente falta do fio ao terminar o procedimento.
       
        Evidências clínicas de possível embolia de fio guia incluem resistência para infundir soluções e baixo fluxo na aspiração de sangue pelo catéter central, ausência do guia ao fim da passagem do catéter e imagens radiopacas inexplicadas em radiografias cervicais, tórax ou abdôme.


Radiografias de abdôme e tórax mostrando imagens radiopacas para-vertebrais - fio guia embolizado 
      

       O tratamento é a retirada precoce do corpo estranho de dentro do vaso. Caso o vaso tenha pelo menos 2x o calibre do fio guia, este pode ser retirado via intra-vascular a partir da veia femoral e controle com intensificador de imagens. Caso o fio esteja muito distal, em vasos de pequeno calibre, é indicada a retirada cirúrgica, com exploração cuidadosa do vaso comprometido.

       Na maioria dos casos descritos, inexperiência, desatenção e/ou falta de supervisão, além de profissionais exaustos durante o procedimento estavam implicados no ocorrido, situações potencialmente evitáveis.

        Além de atenção e supervisão de profissionais não familiarizados durante o cateterismo venoso central, nunca se deve soltar o fio guia durante a passagem do catéter, seja em sua extremidade distal ou em seu ponto de inserção na pele. Além disso, quando ocorrer resistência excessiva para introdução do fio, retirá-lo, juntamente com a agulha, e tentar novo ponto de acesso; e sempre inspecionar a extremidade distal do guia ao fim do procedimento para se certificar que não houve fratura e embolia de um fragmento do fio metálico.

       Parece absurdo, mas acontece!

Um comentário:

  1. Olá Dr. Rafael Mialski,
    Sou Carlos Portela, de São Luís-MA. Minha mãe foi submetida a um caterismo, e o médico não se deu conta de que ficou um pedaço do fio guia de aproximadamente 30 centímetros, que só foi descoberto um ano depois. Ela sofreu um AVC isquêmico gravíssimo e hoje se encontra completamente incapacitada para atividades tão simples como virar o rosto para o lado. Quero fortificar meus argumentos de que tal procedimento médico foi a principal causa do AVC do qual minha mãe foi vítima; porém, por não ser minha áreade atuação, faltam-me conhecimentos sobre a matéria. Quais teóricos, profissionais e professores abordam este assunto com mais riquezas de detalhes. Em que livros, revistas ou outras publicações eu posso me interar sobre sobre tal conteúdo? Por favor, aguardo ansiosamente sua resposta.
    Desde já agradeço sua preocupação em manter pessoas informadas sobre temas de tamanha importância.

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